O jornalista Bernardo Mello Franco e o sociólogo José Henrique Bortoluci debateram o papel da imprensa e os ataques institucionais no país durante episódio do programa Brasil de Histórias, veiculado nesta segunda-feira (28/9).
No encontro mediado por Kátia Brembatti, os autores discutiram a circulação de desinformação, as marcas deixadas pelos protestos de 2013 e a função de vigilância pública exercida pelo trabalho jornalístico.
Mello Franco enfatizou que a atividade de imprensa atua no controle dos gastos públicos e na apuração dos fatos. "Nós, muitas vezes, somos o meio pelo qual a sociedade fica sabendo a forma como o dinheiro do imposto está sendo gasto", afirmou.
Ao comentar a compilação de suas colunas publicadas entre 2018 e setembro de 2025, o jornalista avaliou que os protestos de 2013 destamparam manifestações autoritárias antes contidas no debate público. Ele diferenciou a cobrança legítima por ética e transparência nos órgãos estatais dos ataques coordenados contra o sistema eleitoral.
Bortoluci, autor do livro "Geração democracia", ressaltou que autocratas tentam desqualificar o jornalismo, as universidades e a produção científica por terem aversão à verdade factual e à autonomia do pensamento.
O sociólogo apontou ainda que a sociedade vive uma crise na capacidade de imaginar novos cenários políticos. "A democracia existe como horizonte, existe como desejo, existe como projeto coletivo", disse Bortoluci.
Os debatedores concluíram que o combate às redes de desinformação depende da sustentação econômica dos veículos e do rigor informativo contínuo para a preservação das garantias democráticas.
