O projeto astronômico binacional LLAMA, parceria científica entre o Brasil e a Argentina iniciada em 2014, enfrenta a paralisação de suas obras em território argentino após cortes orçamentários do governo Javier Milei.
As obras em Alto Chorillos pararam em 2024 depois que a recém-criada Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICyT) suspendeu os repasses à estatal INVAP. A estrutura da antena de 12 metros de diâmetro permaneceu no chão, sem o içamento final para o topo do suporte.
O convênio original dividiu os custos em partes iguais entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Universidade de São Paulo (USP) e o Ministério de Ciência e Tecnologia argentino. O contrato firmado com a alemã Vertex Antennenteknik para a fabricação da antena custou 8,5 milhões de euros.
O radiotelescópio enfrentou impasses logísticos desde a chegada ao porto de Zárate, em 2017. Para liberar a carga retida pela alfândega, o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica argentino declarou a nacionalização do equipamento, medida que a Fapesp não reconhece.
Durante o trajeto rodoviário até a província de Salta, o caminhão que transportava uma peça volumosa tombou, atrasando o cronograma em dois anos para reposição. Em 2022, o governo argentino transferiu as obras para a INVAP, que executou a base de concreto de 10 metros de profundidade e a torre de medição antes da interrupção total dos trabalhos.
Do lado brasileiro, o projeto financiou o desenvolvimento de softwares de rastreio e a confecção de suportes ópticos pela empresa ALFA Engenharia, em Araraquara. Pesquisadores paulistas também viabilizaram a produção de três receptores de frequências pelo laboratório NOVA, na Universidade de Groningen.
O observatório foi planejado para operar a 4.850 metros de altitude em pesquisas de astroquímica e medições com a técnica de interferometria de base muito longa.

